Limitei-me com cérebros pequenos. A aspiração desolada se estirou em minha língua. Açoitada, escandalizei e implorei à bravura por glória. Fugi com todas as minúcias, corada de singularidades, deliberadamente despida em camadas. Horripilada. Afrouxada pelo dilúvio. Morta pela penúria de sentimentos, voltei trajada de apatia. Estava ligeiramente apagada.
Acordou sem saber que nunca mais dormiria. Desintegrou sem que eu dissesse o quanto estava embriagado por seu repertório de deslumbramentos. Livre e condenado a não voltar. Não andará para trás para estancar hemorragias, reparar articulações inflamadas e expor lesões doloridas. O arrombo veio rápido, como ondas instáveis de desapego, desatentas à imprescindível rudez e aos inimagináveis esvaziamentos de choro. Tudo o que me resta são passagens. Misturadas, emboladas em nós, desarrumadas e ensolaradas, com raios de luz que embaçam a minha idealização. Com o tempo, suas partes definharam em um embalo nostálgico de tuberculose. Sem letras maiúsculas, sem pontos finais. E o que sobrou do que era já não será mais o bastante para quem já teve tudo de você. As cores desbotaram, violentaram a inquietação de arrependimento. As regras não valem mais.
Venha mulher, desenterre meu senso primitivo. Libere o êxtase. Desperte minha fome e desnude suas sinuosas linhas. Arfe sobre minha boca, ouça meus múrmuros graves sedentos do seu suor. Puxe-me, arranhe-me, use-me. Abuse da minha vontade de ter. Gema ao chamar meu nome. Quero escândalos de ciúmes, delírios de obsessão e rastros de loucura atracados em nosso romance.

